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  Sardoal

A freguesia do Sardoal dá o nome ao concelho. É a sua sede. Lidera de forma pujante um conjunto constituído por três outras freguesias: Alcaravela, Santiago de Montalegre e Valhascos.

Ao longo dos séculos, o desenvolvimento do núcleo original do Sardoal foi relativamente considerável. Por alturas de 1527, já era um aglomerado de certa importância, pois viviam nele e seu termo 504 pessoas; como nos refere o “Cadastro da População do Reino” daquele ano. Daí resultou a sua elevação a vila, poucos anos depois, através de carta dada em Évora, a 22 de Setembro de 1531, por D. João III.

O topónimo Sardão tem sido muito discutido pelos historiadores. À já aludida versão dos répteis da família dos lagartos, outra existe, também verosímil e protagonizada pela “Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”. Diz essa versão que sardão também significa azinheira e que existem no País muitas localidades com este topónimo, cuja etimologia é “terreno agreste”.

Curiosamente, o incontornável Gil Vicente, “pai” do teatro português, autor de muitos autos e outras representações, fez algumas referências ao Sardoal na “Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela”, que escreveu para assinalar o nascimento da infanta D. Maria, filha de D. João III e D. Catarina. Não se conhece o real significado dessas referências, mas a elas não serão alheias as divergências que já na época se manifestavam sobre a génese do topónimo.

Refere o genial dramaturgo na referida tragicomédia: “Vem dous foliões do Sardoal, Jorge e Lopo, e diz a Serra: – Serra: Peço-vo-lo que conteis à guisa do Sardoal. Lopo: Este é outro carrascal. Ressaltam com clareza, no excerto apresentado, a introdução das duas expressões, lagarto e carrascal, que em qualquer dos casos significa sardão.

É admissível que paróquia e freguesia do Sardoal já estivessem fundados nos inícios do século XIV, de acordo com uma carta da rainha Santa Isabel, datada de 1313.

Referindo à fundação da Igreja de S. Tia-go, o Capitão Manuel António Morato, na “Memória da notável Vila de Abrantes”, do século XIX, refere que “as mesmas conjecturas nos levaram a marcar o ano de 1341 como aquele em que se edificava a igreja de S. Pedro, nos obrigam a pensar o mesmo sobre a edificação da paróquia de S. Tiago”.

D. Frei João da Piedade debruçou-se sobre o mesmo assunto: “A esta freguesia pertenciam os moradores de Sardoal e dela se separaram no reinado de D. Afonso V, passando a formar freguesia à parte, com invocação de S. Mateus e S. Tiago e a primitiva igreja ficou desde então considerada ermida, com invocação de Nossa Senhora dos Remédios, mas debaixo da jurisdição do pároco do Sardoal, que apresentava nela ermitão”.

Em 1706, na “Corografia Portuguesa”, o Pe. António Carvalho da Costa refere a precoce existência da igreja paroquial de Sardoal, que já fora colegiada e vigairaria apresentava alternadamente o bispo da Guarda e o marquês de Fontes. Tinha tesoureiro, coadjutor e quatro beneficiados.

Na freguesia do Sardoal, existem vários imóveis de interesse público, classificados a nível oficial, nomeadamente a igreja matriz, a Igreja da Misericórdia, a Casa Grande e o pelourinho. Merecem todos uma demorada atenção, pelo valor que revelam e pelo orgulho que constituem para o povo da freguesia.

A igreja paroquial, dedicada a S. Tiago e S. Mateus, é um edifício quinhentista, modificado por sucessivos restauros. O portal principal é formado por dois delicados calundos capitalizados, onde a ornamentação vegetal se associa a dois rostos humanos, um manuelino e outro feminino. O primeiro tem a fronte coroada. Rosácea de estilo flamejante, apertada num coluneto profanamente moderno entre o coluneto e a porta de lança do portal. O templo tem ainda duas portas laterais, de arco de ponta e de lavor simples. A torre foi acrescentada apenas no século XVII, obliterando assim a empena de bico da fachada.

Interiormente, possui três naves, com arcos de volta redonda, com cinco tramos. O coro ocupa o tramo junto à porta de entrada. Tectos de madeira de três planos, no corpo do templo, onde há quatro altares de pedra da Batalha, dos finais do século XVI. O primeiro deles foi modificado para capela funda, dedicada ao Coração de Jesus. Os dois altares colaterais têm retábulos de pedraria e a capela-mor ostenta um rico retábulo de talha, seiscentista, formado por colunas salomónicas e revestido a azulejo (pintura a azul sobre esmalte branco).

Nas paredes laterais, dois quadros cerâmicos, onde estão representados S. Tiago aos Mouros e a Aparição da Virgem aos Cavaleiros de S. Tiago. A data que ostenta é a de 1701, tendo origem ou influências holandesa. A face do arco mestre também está forrada de azulejos, mas estes são do tipo “padrão” azuis e brancos, dos finais do século XVII ou inícios do século XVIII. Ao alto, um crucifixo, entre S. José e a Virgem, sobre uma mísula – esculturas de pedra do século XV. Entre as duas outras mísulas que ladeiam o arco, vê-se uma Piedade, escultura de pedra quatrocentista, e um Santo António em madeira.

Os retábulos da Capela do Cruzeiro, lavrados em pedra da Batalha, são de imitação tardia da renascença, enquanto que o tecto é de abóbada de berço, pintado modernamente. Perto encontra-se uma outra escultura de pedra, quinhentista, onde figura a Virgem. Está num nicho sobre o arco de uma capela do lado do Evangelho. As tábuas que constituíam o primitivo retábulo são as mais belas peças da igreja. As sete pinturas a óleo sobre madeira de carvalho, representando o busto de Cristo, S. Paulo e S. Pedro, a Virgem da Anunciação, o Anjo Anunciador, S. João Baptista e S. João Evangelista, revelam uma forte personalidade do anónimo artista que as realizou: no tratamento das figuras, nas dobragens dos panejamentos, nas intensões fisionómicas e ainda na primordial importância dada às figuras, embora sem prejuízo das decorações envolventes e acessórias.

Estas pinturas, que constituem o mais valioso património artístico da vila e mesmo do concelho do Sardoal, são atribuídas por alguns autores ao mestre de Sardoal, pintor quinhentista que ainda não foi identificado com segurança, daí o epíteto de “anónimo” com que é brindado. Outros apontam o artista manuelino Miguel Nunes. Sabe-se, sim, que são caracterizadamente portuguesas, de oficina provincial, e documentam, com outros da série organizada por João Couto, a melhor pintura portuguesa do período manuelino.

O naturalismo do desenho das mãos, a suave expressão dos rostos e os olhares das figuras dão um interesse pictural notável a esta série de pinturas, agora restauradas e repostas no seu lugar, depois de figurarem na Exposição do Mundo Português, em 1940. Exposição evocativa dos êxitos dos portugueses no mundo das virtudes da sua colonização.

A Igreja da Misericórdia, do século XVI, tem portal renascentista dourado, guarnecido de medalhões e decorado nas faces das pilastras. Sofreu algumas modificações desde a sua construção. Interior-mente, o templo tem uma nave, cujo tecto é em madeira. O arco triunfal é lavrado em estilo renascença e apoiado em capitéis com figuras. Na empena, no corpo do templo e em especial na capela-mor, pode ver-se revestimentos de azulejos oitocentistas azuis e brancos.

O Hospital de Nossa Senhora da Caridade encontra-se instalado no antigo Convento dos Franciscanos da Soledade, fundado em 1571. Antes da sua construção, esteve neste lugar uma pequena ermida da mesma invocação do actual hospital.

Templo de prospecto agradável, cuja frontaria apresenta um nicho com uma escultura de S. Pedro entre dois medalhões renascentistas. A igreja é de uma só nave, de abóbada calçada, tem altar-mor e dois colaterais. Aquele é em talha do século XVII. Na sacristia, podemos observar também sobre o arcaz uma construção de caixilhos de talha riquíssima, com pilastras e frisos decorativos. Emolduram diversas pinturas em tábua seiscentista: O “Bom Pastor”, a “Adoração”, “S. Jerónimo” e ainda duas imagens incógnitas.

A ermida de S. Sebastião, templo vulgar, destaca-se, no interior, pelo púlpito em madeira sobre um colunelo de pedra. A imagem do orago é quinhentista, em pedra, e mede 0,680 metros.

A Casa Grande, a que também chamam Casa dos Almeidas, é o maior exemplo de arquitectura senhorial na freguesia. Foi fundada por aquela família, ainda que haja esses registos. Nos inícios do século XVIII, pertencia à família Moura e Mendonça. É um vasto edifício setecentista reedificado posteriormente, que pertence actualmente à Câmara Municipal de Sardoal. Tem capela, dedicada a Nossa Senhora do Carmo.

Para além dos documentos classificados, a freguesia tem também no seu seio outros monumentos notáveis que enriquecem o seu espólio artístico: vários chafarizes, a fonte velha (de 1700) e o painel de Gil Vicente.

O povo de Sardoal dedica-se essencialmente à silvicultura e olivicultura. O artesanato está ainda presente, sobretudo a nível de ferro forjado. O turismo-rural é uma das actividades que poderá ser explorada futuramente, tendo em vista o crescimento da freguesia. As riquezas naturais e patrimoniais da povoação, o núcleo histórico, etc.

Fonte: Anafre  —  2002-06-08 Topo da página
Praça do Pelourinho junto á camara municipal

Câmara Municipal

Uma das várias capelas e igrejas centenárias de Sardoal

 

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