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Estavamos em Fevereiro desse ano memorável, a paisagem é agreste, mas bonita e melancólica, ainda não estava construida a barragem, e neste local havia umas termas cujo nome, se a memória não falha, era de Fadagosa...

Decorria o ano de 1945 ainda a 2ª Guerra Mundial não tinha acabado viviam-se tempos muito dificeis. O interior do país tinha um atraso notável e onde por vezes aconteciam coisas estranhas.

Estavamos em Fevereiro desse ano memorável, a paisagem é agreste, mas bonita e melancólica, ainda não estava construida a barragem, e neste local havia umas termas cujo nome, se a memória não falha, era de Fadagosa.

Mais acima, na mesma margem do rio, havia uma bonita quinta que dava pelo nome de Alamal, hoje transformada em complexo turístico com praia fluvial. Na época faziam-se grandes festas nesta quinta, onde os vestidos compridos das damas algumas de grande beleza marcavam o bom gosto e a distinção.

Foi numa destas festas por altura do carnaval que uma jovem de rara beleza e de nome Maria, morena cabelos negros como azeviche grandes olhos castanhos dançou e se divertiu até de madrugada. Ainda de noite saiu da quinta sem ninguem dar por isso.

Algum tempo depois na estrada que do Gavião vem para Belvêr um grande automóvel, com um senhor bem vestido ao volante, ao dar a curva para entrar na velha ponte sobre o rio Tejo os faróis iluminaram a bela jovem que de vestido comprido, mas sem qualquer agasalho tiritava de frio. Parou de imediato a viatura e perguntou-lhe se queria uma boleia, a jovem aceitou, o senhor ao vê-la com tanto frio tirou o sobretudo que trazia vestido e emprestou-lho para que ela aquecesse, e de seguida o carro arrancou na direcção da povoação de Belvêr.

Quando iam a meio da aldeia, ela pediu-lhe que parasse pois era ali a sua casa. Saiu do carro e dirigiu-se a uma modesta moradia, onde ele a viu entrar.

No silêncio da noite ouviu-se a acelaração do potente motor que vencendo a inércia continuou a sua viagem até ao seu destino bem distante destas paragens.

No dia seguinte bem cedo o cavalheiro preparava-se para sair de casa quando deu por falta do sobretudo que na vespera tinha emprestado à jovem, e esta se esqueceu de lho devolver.

Passada uma semana e ao fazer o trajecto em sentido inverso parou em Belver junto à casa da bela jovem com o intuito de ir buscar o sobretudo.

Bateu à porta, sem que alguem a abrisse. insistiu, ao fim de algum tempo aparece uma velha senhora de cabelos brancos mal cuidados com profundas rugas no rosto, possivelmente marcas de uma vida de desgostos e cansaços.

O recém chegado explicou à velha senhora que vinha buscar o seu agasalho que há uns dias tinha emprestado a uma jovem que ali habitava; ela ficou muito admirada, porque ali vivia ela, sozinha há muitos anos.

Ele insistiu, afirmando que só arrancou com o seu automóvel depois de a vêr entrar naquela casa, e descreveu a sua estatura bem como a sua beleza.

A dona da casa olhando fixamente o homem que tinha á sua frente, retorquiu! – entre se faz favor!

Ele entrou para uma pequena sala onde em cima dum móvel se encontravam diversas fotografias. Uma maior estava em lugar de destaque que desde logo chamou a atenção do visitante, afirmando este sem quaisquer dúvidas: É esta a jovem que procuro!
Mas isso é impossivel, disse a senhora, essa fotografia é da minha filha que já morreu há muitos anos. Mas…é ela, dizia ele. Não pode ser dizia ela, e para que o senhor não tenha dúvidas, faça o favor de me acompanhar ao cemitério que é aqui perto, fica dentro do castelo e vou-lhe mostrar a sua sepultura.

Com alguma relutância ele aceitou a sugestão, chegados lá, nem queriam acreditar no que os seus olhos viam. Bem á sua frente estava a sepultura com o nome da jovem gravado na pedra já escurecida pelo passar do tempo, e em cima bem dobrado, estava o sobretudo.

Inacreditável!!!

O ser humano é complexo, o poder da sua mente é ainda um mistério.

Ventura Batista  —  2004-06-16 Topo da página
 

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