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  Quinta do Alamal: o paraíso em risco; Alvega: Hoje e Sempre!

Finalmente, decidi não ser tão escravo do betão e do trabalho e saí de Lisboa (por um breve fim-de-semana). Desloquei-me ao Alamal onde, previamente, tinha reservado um quarto.

Ainda pensei avisar alguém do "Alvega-info" que tivesse a paciência de me guiar nesta Alvega para mim já desconhecida. Com efeito, nem descobri um local para tomar à noite um "digestivo"...

Vindo de Lisboa, passei vagarosamente por Alvega, parei uns instantes junto ao rio, o qual oferecia o seu cheiro inconfundível, que me transportou a mágicas manhãs da minha infância; não resisti a passar as mãos pelo velho barco, atracado na relva. Talvez ele tenha pertencido ao velho barqueiro que conheci ainda miúdo.

Na minha memória vi o seu rosto, pertença de outros tempos, outras memórias, os olhos muito azuis, reflectindo o brilho do rio, o qual ligava dois mundos, duas margens com a força dos seus braços e do seu varapau a bater nas rochas do fundo do Tejo.

Já não vi o antigo carreiro que descia da Estação de Alvega-Ortiga até às variáveis margens do Tejo...Este estava escondido entre as rochas com um insignificante caudal, egoisticamente reservado para os lados de Belver, aí sim, largo e esplendoroso...Roubaram-nos a praia!

Cheguei à Quinta do Alamal, onde fiquei surpreendido com as más instalações aí proporcionadas pelo INATEL, pese embora a boa decoração dos espaços comuns. O Centro tem uma traça lindíssima, mas já muito deteriorada no seu interior, apesar de apenas dois anos de existência. Ao que apurei, a má execução das obras a nível do aquecimento central provocaram danos em toda a estrutura do Centro.

Um amplo restaurante de qualidade ali se impunha, frente ao Tejo, mas tal não existe: apenas um pequeno café o qual, com a boa vontade da senhora que ali está, proporciona refeições a pedido daqueles que, uma vez ali chegados, ficam deslumbrados com a beleza do local, com a sua tranquilidade, mas que se confrontam com a inexistência de infra-estruturas que permitam uma estadia mais prolongada. E, em vez de 10 dias ali passados, certamente as pessoas ficam apenas um ou dois dias...

É uma pena este Portugal estar tão abandonado, como que morto...Aqui ao lado, na Espanha, a vida é uma festa: mesmo nas localidades mais perdidas na paisagem, ao fim do dia parece que as pessoas ressuscitam para um louvor à Vida e ao prazer de viver...Mas Portugal, tão belo e diversificado nas suas paisagens, parece mergulhado num sono letárgico, num torpor do qual não se consegue libertar...

Ao caminharmos ao longo do rio, ver este a dormir entre as suas margens é ver o nosso País a caminhar docemente para o esquecimento de si próprio.

Parece que o INATEL não quer investir neste empreendimento - deixar morrê-lo será talvez a "solução" preconizada pela nova Direcção. Não realização de obras que se impõem, inexistência de monitores que programem actividades no Centro, cafés, bares e restaurantes de qualidade ali não existem. Igualmente no Gavião me disseram que nada ali havia de interesse nesta área. É uma pena, pois a região e o eixo Alvega-Gavião tem potencialidades. A Câmara desta última localidade deveria tomar nas suas mãos este projecto, tanto mais que ao que me foi dado apurar existirá incumprimento por parte do INATEL no que toca precisamente à dinamização da Quinta do Alamal. Ou exigir judicialmente o cumprimento do protocolo que terá sido celebrado entre as duas entidades.

No que diz respeito à nossa Alvega, no Domingo nela entrei mais demoradamente e aproveitei para assistir à missa das 11h30; constatei que a Igreja estava cheia mas com uma certa predominância da população mais idosa. E, quanto aos homens, apenas três ou quatro... Mas o Padre ficou feliz por, apesar de tudo, estar a Assembleia composta por várias faixas etárias. Até ali estavam dois "forasteiros" de ar jovem, passe a imodéstia...eu e minha mulher.

Não sei qual a relação que existe entre aquele e a população; espero que seja boa; não sei se gostariam de publicar algo no "site" do "Alvega-info" sobre a Paróquia de Alvega, tais como eventos, horários das diversas iniciativas e cerimónias que interessariam não só aos residentes como aos visitantes; enfim teria de ser alguém residente na terra a estar atento e dar a informação pertinente.

Gostava apenas de referir a dor sentida pelo modo como actualmente está a ser utilizado o largo frente à Igreja, pois quem ali se encontra não tem uma visão livre e ampla sobre a praça devido ao estacionamento algo anárquico; também a localização dos contentores do lixo não é certamente a melhor, pois tira beleza e dignidade à fonte ali existente, com os seus belos azulejos de Santo António; ainda possuo fotos da minha adolescência junto à fonte, com a minha avó, nada e criada em Alvega...fotos a preto e branco pois claro mas nas quais a beleza da Praça se destaca...

Também o Coreto se sofresse um estudo por parte de um arquitecto talvez pudesse ser reformulado na sua estrutura e adquirir um rosto mais elegante; à volta dele deveria existir um belo jardim, imensas flores e árvores, bancos de madeira, muitos, para chamar as pessoas à conversa amena nas longas e belas tardes de verão e à noite, depois do jantar. Tal como a Praça está, parece-me que as gentes não têm grande estímulo para ali permanecerem.

Como me senti um pouco perdido àquela hora de almoço, lembrei-me que poderiam existir uns “placards” bonitos, a indicar as belezas da terra, os pontos do Tejo agora melhorados e eventuais estabelecimentos onde se pudesse tomar pacatamente uma refeição ou beber “um copo” e, porque não, saber notícias da terra;

De qualquer modo, prometo voltar! Sempre! Enquanto o coração bater!

De Lisboa, com amizade.

Delfim Lourenço Mendes  —  2003-05-28 Topo da página
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É sempre dificil comentar um artigo do sr.
Delfim Mendes pois são primorosos e agradáveis de ler,portanto estas palavras não o serão. Apenas quero reforçar a ideia dos "placards" em Alvega que reputo de grande interesse.
Uma terra por onde passam milhares de veiculos que não param, porque nada os "obriga" a parar é uma pena.
Alvega tem o dever de informar esses milhares de pessoas que não é só uma rua (EN 118) poluida pelos veiculos que a cruzam.
Tem de lhes dizer que vale a pena parar
porque é uma aldeia com pessoas acolhedoras e simpaticas. Que é uma aldeia com recantos de grande beleza natural e de grande tranquilidade.Tem turismo de habitação,etc, etc.
No estrangeiro por veses passamos por aldeias deste tipo, e paramos exactamente porque está lá uma informação a dizer que devemos ver isto ou aquilo, porventura apenas uma anta, mas com uma história para nos contar que nos prende ali uma hora, e faz de nós um veiculo de propaganda.
E assim "nascem" infraestruturas empurradas pelo turismo dinamico.
Alvega tem capacidade para tudo isto e muito mais, é só por a imaginação no papel e dar-lhe VIDA.
São coisas tão simples e que até não poluem!!!
Um abraço a todos e à Portuguesa.
Ventura Batista
Joaquim Manuel Ventura Batista

 
 
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