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  A casa que não merecemos habitar

Tendo observado ao vivo o poder de destruição do fogo na nossa floresta, não pude deixar de ficar surpreendido, e de pensar como são frágeis as nossas vidas, de como de um momento para o outro tudo pode desaparecer, inclusive nós próprios.

Não pensamos nisso no dia-a-dia. Temos alguns rasgos de consciência quando algum familiar morre na estrada ou uma catástrofe se abate sobre nós, como a actual. O resto das nossas vidas vivemo-las como se nada nos ameaçasse, como se muito pouco dependesse de nós. Mas exigimos. Exigimos que as filas andem mais depressa, que o tipo que vai à nossa frente a 40 à hora desapareça da estrada, que todos paguem impostos menos nós, que a praia esteja limpa sem termos de nos deslocar ao caixote do lixo… que tenhamos 10 carros de bombeiros a apagar o “nosso” fogo quando meio país está a arder.

Temos um país que não merecemos. Praias lindas, rios, florestas, montes e vales de cortar a respiração. Temos sol, mar e vida animal únicos. E o que fazemos com ele? Estragamo-lo. Por ganância ou mero descuido ou incúria. Quando vamos no nosso carro e atiramos a casca da banana pelo vidro com a simples desculpa de ser biodegradável, quando fazemos o mesmo com a beata do cigarro, quando não separamos o lixo do material que pode ser reciclado, quando atiramos lixo para os recipientes de reciclagem, quando passeamos o cão e deixamos a merda para outro pisar, quando não obrigamos os nossos governantes e presidentes da câmara a respeitar a natureza e a não construir onde quer que dê mais lucro. Mas estragamos muito mais o nosso país quando pura e simplesmente não lhe ligamos importância.

Mas um país é algo de artificial, criado por nós. Na verdade não existem sequer concelhos, freguesias ou regiões demarcadas. Tudo isso foi criado por nós para nossa conveniência. A única realidade existente é a da natureza, e por vezes esta manifesta-se. Quer através de chuvadas e enxurradas que arrastam todas as casas e quintais que entopem o curso natural dos rios e ribeiras, quer através de fogos sem perdão que não respeitam fronteiras e habitações.

Na nossa ânsia de lucro ou incúria criminosa estamos lentamente a destruir a nossa casa. E quando a nossa casa nos cai em cima choramos e imploramos por ajuda e não nos lembramos que também a nós nos compete zelar um pouco por ela e pelo nosso quintal comum. E se por acaso perdemos tudo, depressa atribuímos a culpa a terceiros e somos incapazes de fazer uma pequena introspecção e reconhecer aquilo que também nós fizemos mal. A tal casca de banana que entope a valeta ou a beata que voou pela janela do carro.

Mas como bons portugueses que somos, temos memória curta e imagino já, daqui a dez ou vinte anos, os mesmos gritos e mãos levantadas aos céus e os mesmos “valha-nos deus” de sempre enquanto o que resta da nossa floresta entretanto transformada em eucaliptal arde numa gigantesca bola de fogo juntamente com as nossas casas e quintais.

majoralvega  —  2003-09-17 Topo da página
 

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