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  Cogumelos

Há meses, passou na nossa comunicação social uma reportagem sobre um tipo de cogumelos muito apreciados no estrangeiro, que nasciam naturalmente nos nossos campos, e que nós não recolhemos.

Eram os espanhóis que os vinham recolher, os levavam e os comercializavam, por valores muito atractivos. É um paralelo (mais modesto, é certo) à recolha de diamantes e de petróleo noutros países nossos conhecidos.

Em tempos de crise, de tanga, de depressão, temos em nosso poder uma grande riqueza, que não implica quaisquer custos de produção, que desprezamos e que damos de mão beijada a esses papões nossos vizinhos que, com alguma indignação e impotência, acusamos de nos virem dominar.

Ora, o nosso país está a regredir. Se outrora pudemos socorrer-nos da consolação de não sermos os últimos do pelotão europeu, desde há cerca de um ano que assim não é, deixámo-nos ultrapassar e somos oficialmente os mais pobres, os mais ATRASADOS do grupo da Comunidade.

Aproximamo-nos cada vez mais do perfil dos países terceiro-mundistas. Veja-se o fosso que aumenta a cada dia entre ricos e pobres - a tratar-se de simples recessão, o problema atingiria todos.

Por isso, e como nos países terceiro-mundistas, a cidadania, o exercício de cidadania, tem um peso muito ténue. Não conhecemos os nossos direitos, ou não sabemos ou não nos é permitido exercê-los.

Ser cidadão implica, por exemplo, ter acesso à informação que vai condicionar a nossa vida, às decisões que nos vão afectar, directa ou indirectamente, poder dar o nosso contributo para a definição das políticas que nos envolvem, manifestando as nossas aspirações.

E isto traz-nos à nossa querida e pobre Alvega. À Alvega que já foi um ponto de atracção a nível concelhio, tanto económica como cultural e socialmente.

Dirigimo-nos à Junta de Freguesia (em Abril do ano passado, entenda-se) propondo um protocolo de colaboração, em que este site publicaria informação de interesse da população, nomeadamente as actas das reuniões da Junta, como acontece com a Câmara Municipal de Abrantes.

Depois do sobressalto da questão da carta escolar, com a população a criticar a falta de informação da Junta de Freguesia e a Junta a reclamar impotência por decisões tomadas a nível superior, e a reclamar ainda a falta de participação da população nas reuniões ordinárias da Junta e da Assembleia de Freguesia, pensámos que seria útil para todos os envolvidos, já que a Junta não tem site próprio nem Internet.

A nossa carta registada não teve qualquer resposta. Não aconteceu como anteriormente, em que, à proposta de avançarmos com uma pequena biblioteca, nos foi dito informalmente que não havia instalações (a meu ver, o que havia a fazer não era constatar que não havia instalações, mas averiguar como se poderiam conseguir).

Não nos foi dito que sim, que “talvez”, ou que não. Nada.

A Junta de Freguesia parece não ter nada para nos dizer.
Não tem nada para nos dizer acerca do desenvolvimento da questão das escolas, acerca da elaboração do PDM, acerca da requalificação ou não da Praça da República, acerca do facto de não existir qualquer referência a Alvega nas saídas do IP6/A23.

O PDM – o que sabemos da sua revisão, que nos (vos) vai espartilhar por mais 10 anos? Quem foi convidado a participar na sua elaboração e a apresentar os graves problemas que surgiram ao longo de todo este tempo? Quem sabe quais são os prazos para discussão?

A praça – quem sabe se vai ou não ser alterada, se vai ou não permanecer com o coreto? Alguns, por se encontrarem perto das fontes de decisão, parecem saber; decerto não a população em geral.

Que comunicações faz a Junta de freguesia à população de que assumiu o governo?
Quando se ouve falar de Alvega nos meios de comunicação locais e nacionais? Pedofilia? Perseguições a criminosos?

Vi esta Junta de Freguesia utilizar os meios de comunicação social para se dirigir à população de Alvega uma única vez. Por altura da morte do Dr. Soares, numa homenagem ao mesmo e à sua família, no jornal “A Nossa Terra Natal".

Foi a única vez que teve algo a comunicar-nos, durante todo este período.

Estamos a ficar sem escolas.
Não podemos construir, e vemos a “filha pródiga” Concavada crescer a olhos vistos.
Não temos Internet na Junta, mas podemos sempre ir pedir o favor de a consultar à tal “filha pródiga”.
Não temos Biblioteca, mas basta passar o Tejo e estamos na de Mouriscas.

Alvega é uma freguesia pobre, é certo, porque a deixaram e a continuam a deixar empobrecer. Porque não se exploram as potencialidades existentes e que surgem, mesmo quando não implicam quaisquer custos, como seria o caso da divulgação de informação, notícias, avisos ou apelos no site, por parte da Junta.

Alvega é uma freguesia pobre. Não porque não tenha meios, mas porque não sabe ou não quer utilizá-los, ou dirigir-se aonde os possa obter.

Porque não apela à participação da população, e ainda a desincentiva. Porque não usa os meios que tem ao seu alcance, à sua disposição, para aceder à informação e para divulgar a informação, que possui, mas que pertence a todos os cidadãos que dela fazem parte.

Tal como com a Grécia, estamos a deixar-nos ir para o fim do pelotão. Olhamos os progressos dos outros com alguma indignação porque sabemos que acabarão por implicar perdas para nós.

E mesmo assim ficamos quietos, como na história da rã que morre cozida porque não se apercebe que a água vai aquecendo paulatinamente.


Fatalidades de um destino que escolhemos, ou escolheram para nós.

Fátima Castanho  —  2004-01-25 Topo da página
Não é necessário esforço para que a nossa identidade colectiva e o nosso património se extingam. Basta deixar passar o tempo, olhar para o lado e nada fazer.

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boa!!!!!!!! candidata-te nas proximas eleições que tens o meu voto!!!!!!!!
luis amaral

 
 
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