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As cheias no rio Tejo

Depois de anos de seca, o rio Tejo voltou a surpreender aqueles que julgavam as cheias um acontecimento de um passado distante. Mas quem vive junto ao rio sabe que não é bem assim...

Alvega, sendo parte do Ribatejo, está intimamente ligada ao rio que dá nome á província. O Tejo, o maior rio que atravessa Portugal, tem sido notícia pelo desvio do seu caudal em Espanha, pelo projecto de construção de diversas travessias no norte do distrito, e até mesmo pela vontade de o transformar de novo numa via navegável. Mas os mais desatentos parecem surpreendidos pelo poder deste “nosso” rio que tem corrido nos últimos anos, pacatamente, pelo seu leito milenar.

Com um percurso de cerca de mil quilómetros, o rio Tejo nasce em Espanha, onde é conhecido por Tajo, na Fuente de García, na Serra de Albarracín a 1593 metros de altura. No país vizinho o Tejo é barrado por catorze barragens e o seu caudal desviado pelo polémico transvaze Tejo-Segura que retira ao rio em média trezentos e cinquenta hectómetros cúbicos (1 hectómetro = 1.000.000 metros cúbicos) por ano desde o início da década de 80.

A ideia de retirar água ao rio Tejo a fim de acabar com o “desequilíbrio hidrológico” da península ibérica remonta a 1933, tendo como principal impulsionador Indalecio Prieto, na altura Ministro das Obras Públicas do governo do ditador Primo de Rivera. Prieto foi também responsável pela construção em Madrid da estação de comboios de Chamartín e do túnel que a liga á estação de Atocha, obras concluídas após a guerra civil espanhola (1936-1939).

A ideia do transvaze foi retomada pelo governo de Franco em 1966 sendo concluída em 1979 com um custo estimado de mais de quarenta mil milhões de pesetas e uma capacidade de transvaze de seiscentos hectómetros cúbicos. Esta obra foi construída com a meta de irrigar cerca de noventa mil hectares.

Com desavenças entre províncias espanholas, a necessidade do cumprimento de um caudal mínimo do Tejo e os últimos anos de baixa pluviosidade, a obra é hoje considerada por alguns especialistas como um fracasso, funcionando muito abaixo da sua capacidade projectada.

Em Portugal existem apenas duas barragens, Fratel e Belver, tendo pouca capacidade de represamento de águas comparativamente a Espanha. Em caso de cheia, esta fraca capacidade deixa o país indefeso e inteiramente dependente das descargas das grandes barragens espanholas.

Correndo entre vales acentuados desde a sua nascente, o Tejo alarga-se em lezírias após o Castelo de Almorol no concelho de Constância. Devido a esta característica, o Ribatejo é uma região agrícola dominada pelo regadio e, intrinsecamente, ligada ao rio que a percorre.

Ao contrário da percepção actual, criada pelo mediatismo da comunicação social e pelo desconhecimento em geral, as cheias do Tejo eram habituais no inverno e consideradas como um acontecimento benéfico pela população que depende da agricultura. Reguengo do Alviela é a povoação mais conhecida em épocas de cheia por ficar, frequentemente, isolada pela subida das águas. A sua população está perfeitamente adaptada á situação que é considerada normal em tempo de chuvas.

As inundações do rio Tejo deixam nutrientes importantes nas terras agrícolas e servem também como controle de pragas e outras populações de espécies animais, como os roedores, sendo os anos seguintes ás cheias anos de boas colheitas, sendo os benefícios superiores aos prejuizos.

Também Alvega já lidou com situações de cheias por diversas vezes, sendo a última grande cheia em 1989. Esta cheia inundou completamente o rés-do-chão da escola Dr. Fernando Loureiro e parte da Estrada Nacional 118, chegando ao posto de combustíveis e a alguns metros do café “A Estalagem”. As zonas mais baixas do Casal foram também inundadas pelo rio. Hoje em dia a infra-estrutura da Praia Fluvial de Alvega, pela sua localização á beira-rio, é frequentemente inundada.

É tido como conhecimento popular que o primeiro sinal de grandes cheias no rio Tejo é a subida das águas até atingir as traseiras da escola Dr. Fernando Loureiro.

Sendo um acontecimento sazonal, as populações estavam prevenidas contras as enchentes e tomavam precauções antes da subida das águas, causando esta relativamente poucos estragos em relação á dimensão que as grandes cheias atingiam.

Desde 1989 que não ocorre uma grande cheia no rio Tejo e a deste ano, até ao momento, não provocou grandes danos em Alvega e nas lezírias do Ribatejo. Apenas o sr. Manuel Sabino se poderá queixar uma vez que num pequeno descuido perdeu a sua Kangoo nas águas do rio junto á praia Fluvial de Alvega. E logo ele que viu diversas vezes a água atingir a sua oficina de bicicletas no centro de Alvega.

O Tejo continua a surpreender os mais desprevenidos e manter viva a recordação do seu poder naqueles que o conhecem. Ao mesmo tempo vem desmentir aqueles que o anunciavam como um rio domado pelo homem.

João Mourato Topo da página


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Nasce em Espanha como Tajo e desagua em Lisboa mil quilómetros depois como Tejo. É o maior rio da Península Ibérica.
Imagem das cheias de 1989 em Alvega
Em Constância, o rio Zêzere junta-se ao Tejo
O Tejo já foi via de comunicação de pessoas e mercadorias até Alvega
A Praia Fluvial de Alvega é frequentemente inundada pela subida do caudal do Tejo


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