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Correios em Alvega. Quase só uma história para contar

Os CTT estão neste momento a ponderar a hipótese de encerrar ou transferir para terceiros cerca de 500 estações dos correios a nível nacional, dado estas não apresentarem a rentabilização que cada vez mais se procura em todos os serviços.

Um sujeito seu conhecido, meio filósofo, fizera-lhe em tempos o elogio do carteiro, o mais simpático e desejado de todos os funcionários públicos. Os polícias intimidavam, multavam, prendiam; os cobradores da Câmara só vinham com recibos; da gente do fisco, nem falar.
O carteiro, esse, trazia notícias, unia almas distantes, sossegava inquietações.

Excerto de “Rua”, Miguel Torga.

Os CTT estão neste momento a ponderar a hipótese de encerrar ou transferir para terceiros cerca de 500 estações dos correios a nível nacional, dado estas não apresentarem a rentabilização que cada vez mais se procura em todos os serviços, mesmo naqueles de cariz primariamente público.

Em Alvega, surge ciclicamente o fantasma do encerramento da estação dos correios.

A estação de correios de Alvega mudou de instalações em 1990, e embora as instalações sejam agora mais modernas e acolhedoras, o horário dos serviços é francamente mais reduzido.

Ao nível da distribuição, verificou-se um notório desinvestimento daquela instituição, quando há anos atrás foram substituídas as rondas dos carteiros nas zonas mais periféricas por agrupamentos de pequenas caixas de correio, que desde o início ostentaram um ar de abandono, ficando mesmo a dúvida de terem alguma vez sido utilizadas.

A estação dos CTT assegura um serviço indispensável à população, especialmente aos mais idosos, que ali se deslocam para receber as suas reformas e pensões, e que com muito sacrifício se deslocariam, caso este serviço encerrasse, à povoação ou cidade mais próxima.

Tempos houve em que a distribuição se fazia de bicicleta ou de motorizada, em que os carteiros suportavam calor e chuva, em que percorriam toda a freguesia, desde Alvega até ao cimo das Portelas, ao Tubaral, ao Ventoso, em que iam desde Lampreia, num extremo da freguesia, ao outro extremo, Concavada, nesses dias.
Levavam e traziam notícias, faziam companhia, eram convidados a entrar em casa, tomavam uma bebida, petiscavam, e depois seguiam caminho, para o calor escaldante, para a chuva.

Destes, destaco os gémeos João e Ramiro Coelho.
Gémeos idênticos, ambos carteiros, ambos inseparáveis da sua bicicleta “pasteleira”. Personagens características, que durante anos foram aguardados com ansiedade pelas cartas que traziam. Muitos não os conseguiam distinguir.

Os CTT já raramente trazem notícias de entes queridos distantes, estamos na era da banalização do telefone e do e-mail. Os envelopes já não trazem sentimentos, notícias, emoções; trazem, isso sim, contas a pagar, extractos bancários, publicidade mais ou menos enganosa.

A figura do carteiro ainda está presente, embora a relação de familiariedade se tenha perdido, com a maior rotatividade destes funcionários, bem como com o modo mais rápido com que levam a cabo o seu trabalho, em carrinhas, num acelerado pára-arranca.

Sinais dos tempos, o que de bom o progresso nos traz e as memórias que nos permite eternizar.

Fátima Castanho Topo da página


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Antiga estação dos correios
Marco de história
Marcas de um passado já distante. Caixa de correio em Lampreia
Ramiro Coelho. Antigo carteiro em Alvega e uma cara conhecida de todos
As actuais instalações dos Correios em Alvega
Como que a seguir as tendências humanas, de trocar a casinha do campo pelo apartamento, também os CTT implementaram uma versão "prédio" de caixas de correio, hoje com um certo ar de bairro social degradado


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